sexta-feira, 22 de setembro de 2017
Mãe! (Mother!)
Os personagens
Mãe: Mãe natureza (Jennifer Lawrence)
Ele: Deus / Demônio (Javier Bardem)
A casa: a Terra
Homem: Adão (Ed Harris)
Mulher: Eva (Michelle Pfeiffer)
Filho 1: Abel
Filho 2: Caim
Resto da família: primeiras civilizações
Bebê: Jesus Cristo
Resto de pessoas: seres humanos desde o ano 0 D.C
Com esta breve definição, já fica claro que é uma explicação da Bíblia, mas também da nossa realidade atual.
“Mãe!”, com exclamação é um grito desesperado para definir o ser humano, sua passagem pelo planeta e como destruidor deste.
Na apaziguada vida terrena, na conjunção de Deus e a Natureza, por tédio, ego ou outros sentimentos, o criador abre as portas para quem pode admirar-lo. Não deve ser fácil ser o criador e ninguém contemple a obra. Esta ideia não parece gostar a mãe natureza, mais preocupada em cuidar da terra e regenerar algumas partes que não estão bem. Mas isto não importa ao criador que vê como inofensivos os novos inquilinos, que apresentam a morte perto e presente. Tudo esta aberto à eles, podem fazer quase tudo que querem, já que o ‘poeta’ pensa que a casa é de todos.
Pfeiffer, representando Eva, não pode resistir a tentação e come a fruta proibida, manifestado como a ruptura da pedra que tanto apreciava o criador. A raiva é monumental e os bani. Mas eles não parecem arrependidos e continuam com seus jogos pecaminosos como se não tivesse acontecido nada, como se fosse uma criança e ser perdoado pelo fator de ser isso, uma criança. E o livre arbítrio faz com que eles voltem a casa, desta vez com seus filhos, onde numa situação de ciúmes, um mata o outro. Este problema piora com a chegada de outros familiares. Uns fumam, outros bebem, outros jogam sem prestar atenção à Mãe, sem sentir o dano que causa a casa com esse jogo.
Diante disso, a mãe fica brava, através de manifestações que se assemelham as catástrofes naturais, como terremoto, inundações (o cano estourando)…. Biblicamente falando, é uma paralelo com a inundação universal.
Depois disso, tudo volta à calma, com essa reconciliação vem um filho, Jesus. Com esta situação parece que a Mãe não necessitara de seus medicamentos para se manter calma. Mas tem uma imagem desconcertante, que vemos uns minutos antes. A fotografia Dele, esta rasgada e parece que tem desenhando chifres e rosto maligno. Esta pode ser a parte mais comprometedora do filme, onde possivelmente o personagem de Bardem esta encarnando ao mesmo tempo Deus e o diabo, como se fossem um, ou talvez para uns é um Deus por ser o criador, mas pode ser um demônio por colocar os seres humanos na Terra.
Após isso, o poeta tem uma nova idéia que ele entende como a melhor obra. Pronto, chegam novos admiradores, criando religiões e seguidores fanáticos, enquanto outros seguem com sua inconsciência, roubando, destruindo, até o ponto que a casa começa ser uma guerra. Novamente aqui repetem a frase, “saiam da minha casa” com a resposta sorridente “o poeta disse que essa casa pertence a todos’.
Nem o nascimento da criança arruma/salva a casa.Aqui acontece uma cena de canibalismo que representa bem o que foi feito com Jesus causando sua morte e como ela é representada na religião cristã tomando seu sangue e comendo seu corpo.
A natureza cansada do ser humano e de Deus, decide terminar tudo e se incendia com a casa.
Nesta ultima instancia, a natureza agonizante, deixa tomar seu coração e permite que Deus crie um novo mundo com ele.
Como se pode ver, a historia é realmente estremecera com simbolismos sem fim. O retratado aqui é a parte bíblica, mas isso não é tudo que o filme contem. Há muito mais.
De qualquer forma, o filme é um clamor claro pela destruição que o ser humano esta causando na deterioração do planeta e da alma da gente, onde pensamos no agora, celebridade momentânea custe o que custar.
É uma pequena jóia deixada por esse grande diretor, Darren Aronofsky, que dá uma lição no mercado comercial com sintomas inconfundíveis de cinema de autor e questões grandes, inteligentes e criticas.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
O Clube (El Club)
Poucas coisas me dão mais medo do que aquelas pessoas que confessam alguma brutalidade como a firme convicção de que estão fazendo o que tem que ser feito, que Deus (ou quem seja) os colocaram ali precisamente para isso. Há razões para justificar qualquer feito, qualquer crime, eles dizem. Cada um busca sua própria moral, dentro da faixa de opções que confundem os conceitos do bem e do mal, para aliviar sua consciência e poder viver consigo mesmo. E a religião tem sido, sem duvida, a justificativa ‘perfeita’ em toda a história da humanidade. A igreja católica, a mesma que várias vezes tem sido alvos de diversos escândalos por dar proteção a vários padres que realizam praticas indecentes, sempre pela salvação e a boa imagem de um bem maior, claro, a igreja em si.
Quantas atrocidades se cometem em nome da religião?
Pablo Larraín coloca a resposta na tela da forma mais desagradável e perturbadora possível, destilando inteligência, sarcasmo e claustrofobia. Se fosse descrever o filme em uma palavra, seria angustia. Desde o primeiro plano, com esses acabamentos difusos, ambiente húmido, névoa constante e frio; incomodando imediatamente o espectador. Sensação que contrasta com a clareza que os fatos são resolvidos e o estilo de diálogos, sempre muito direto. Tudo com um ritmo pausado, que te vai levando pelos acontecimentos que ocorrem entre 4 padres e 1 ‘freira’ que estão reclusos numa casa, num vilarejo costeiro do Chile, onde fazem suas penitencias secretas pelos crimes cometidos. Eles procuram suas própria justificação, mas Larraín não se envolve em julgamentos morais, não apresenta discurso de nenhum tipo, apenas expõe. E o que mostra é o inferno com vista pro mar.
“El Club” é um dos filmes mais assustadores que já vi, sem gritos, sem fantasmas, com toques inesperados de humor e sarcasmo que o tornam ainda mais preocupante. O terror esta presente na forma mais brutal, mas terrível: com as pessoas e suas misérias. Gente de carne e osso, que se deixaram levar por uma moral perturbadora e aí cada qual que emita seu julgamento.
Oxalá, “Spotlight – Segredos Revelados” tivesse a coragem deste filme que não esconde nada e mostra um mundo cruel, sórdido e infelizmente verdadeiro.
domingo, 27 de setembro de 2015
Eu, você e a garota que vai morrer! (Me, Earl and the dying girl!)
Alguma vez já se perguntou qual seria o resultado de um filme que reuniria a faísca cômica de Edgar Wright, a extravagância colorida de Wes Anderson e o drama cruel de Clint Eastwood?
Bom, talvez ninguém quisesse ver um filme como esse, mas a boa noticia é que também não faz falta.
“Eu, Ear e a garota que vai morrer” é sem duvida, um dos melhores filmes do ano e com toda certeza estará no meu top 10 do ano. O encarregado do polimento de semelhante diamante ´Alfonso Gómez Rejón enquanto Thoman Mann, Olivia Cooke e RJ Cyler são os três jovens protagonistas que dão brilho e carisma, com uma ponta da preciosa Connie Britton.
A história gira em torno de Greg, um adolescente desajustado e complexado po suas limitações auto-impostas que, em seu ultimo ano do ensino médio, se encontra na dantesca tarefa de achar seu lugar no mundo. Seu amigo, o colaborador, é Earl, com quem compartilha uma paixão profunda pelos grandes clássicos do cinema. Tudo na sua vida é monótono e rotineiro e nada e ninguém parece capaz de mudar isso até que obrigam a Greg visitar uma companheira de classe que está com leucemia.
Como disse anteriormente, o diretor mostra coragem e confiança não só ao nos apresentar os personagens e coloca-los em situações que possam se desenvolver e conectar-se com o publico, mas também insuflando oxigênio com uma estética particular que às vezes lembra Wes Anderson (“Grand Hotel Budapest”).
A duração é ótima e nenhuma cena esta fora do lugar, tem uma edição primorosa e contem numerosas alusões ao cinema que os cinéfilos se simpatizarão. As atuações são surpreendentes e todos atores enchem a tela. A fotografia é origina e brinca com planos e posições da câmera.
Em conclusão é uma SURPRESA, um daqueles filmes que passa no radar por sua aparente simplicidade mas surpreende pela narração sincera, humano e realista sobre a vida de uns adolescente que se unem pelo capricho do destino, como um câncer que sera um gatilho que formara um vinculo profundo e duradouro.
A sequencia final é uma das melhores que vi nos últimos anos.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Ela (Her)
“Her” não é apenas um filme, é muito mais importante que isso. É um experimento social que aborda o ser humano e o mundo tecnológico que vive.
Spike Jonze saca da cartola uma ideia brilhante e converte em um dos melhores roteiros do cinema recente. De uma maneira original e inteligente ele fala do amor e do desgosto. No entanto, estes temas são apenas a superfície do que será explorado. Seu objetivo é ir mais longe, é medir a capacidade sensorial do ser humano e mostrar como este vai evoluindo em seu ambiente e as mudanças que isso produz.
Estamos num cenário teoricamente futurista. Digo teoricamente, porque o mundo atual que vivemos já é quase monopolizado pela tecnologia e isso nos faz acreditar que se trate de um futuro bem próximo. Conhecemos a Theodore, um homem que trabalha escrevendo cartas de amor à outras pessoas e que separou de sua esposa recentemente. Theodore decide comprar um sistema operacional moderno que se adapta aos gostos e personalidade do usuário. Diante disso, nos perguntamos se a tecnologia promove a solidão ou ajudar a superá-la. É curiosa a primeira pergunta que o SO faz: ‘você é social ou antissocial?’
Aos poucos vai estabelecendo uma relação com Samantha (a voz do SO), até que finalmente se apaixonam.
Poderia um humano se apaixonar por um SO ou vice-versa? Pode parecer uma pergunta maluca, mas depois de assistir ao filme eu acho que quase todos teremos a mesma opinião. Spike Jonze me convence fortemente. A ideia de ‘querer’ está na mente, lembranças, sentimentos e sensações que vai surgindo em nós. É o que faz experimentar em alguém, seja inteligência artificial ou humana. Tudo se resume na forma que pensamos sobre a maneira como você ver seus atos, seu comportamento com a gente, suas coisas. No faz falta um corpo para transmitir ou receber sensações. Tentarei explicar.
Deixamos de amar uma pessoa quando ela morre? Claro que não e não tem corpo. Então porque ainda amamos?
Pelo já citado, tudo está na mente, memórias e sensações experimentadas.
Pode Theodore amar Samantha sem ela ser real? O que é real e irreal? Não é real a felicidade e vontade de viver que Theodore tem depois de conhecê-la? Não é real o sexo que ambos tem? O sexo transcende além do físico, do palpável. Vai bem mais além, é como ficar longe de tudo e estar mentalmente com quem vê deseja e onde você deseja.
Poderia ser resumido em: “Se te faz sentir, é real”
Depois temos a questão da evolução do ser humano no mundo e no seu ambiente que vive. Samantha graças a Theodore conhece o mundo humano, cresce como ser, não está programada para isso mas experimenta e vive coisas novas. Ama Theodore, mas é precisamente esse desenvolvimento no mundo que faz que ela necessite outras coisas. Precisa seguir avançando, dar novos passos para encontrar novas sensações. E o melhor é que igual a Theodore, ela sabe como.
O desfecho pode parecer confuso mas existe uma mensagem clara no filme. Por reflexões como a do final o roteiro de “Her” merece todos os elogios possíveis. Da trilha sonora melhor nem falar, é capitaneada pela excelente banda “Arcade Fire” e a sequência de Joaquin Phoenix com “The Moon Song” ao fundo (no impagável momento ukelele) é a essência infinita da vida, o pico da felicidade efervescente e fugaz.
Joaquin Phoenix recebe um dos melhores papéis em sua carreira e rouba nosso coração com sua personalidade. O bigode, as doces palavras e um olhar tímido por baixo de um par de óculos conseguem que nós entregamos a ele por completo. Há intimidade e melancolia em seu personagem. Em uma palavra, cativante.
Scarllet Johansson está fabulosa. Faz seu melhor papel desde “Lost in translation”. E tem momentos no filme que aparece uns planos da cidade de Los Angeles que lembram a Tóquio do filme citado. Scarllet é outra metáfora do que é real e não. É necessário que um ator apareça na tela para fazer um bom papel? Aqui fica claro que não porque sua bela, sugestiva e sexy voz nos faz imaginar cada momento. Fantástica conexão da atriz com seu personagem.
Amy Adams apesar de ter um pequeno papel, está ótima. É uma atriz com nível altíssimo. A verdadeira amizade que tem com Theodore e o apoio que lhe dá é possível sentir. Uma adorável interpretação que fecha com uma bela cena final. Dois seres melancólicos, solitários e feridos sentam no topo de um arranha-céu olhando o horizonte. Eles já encontraram a si mesmo, já se perdoaram e agora podem olhar para o futuro.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Ninfomaníaca (Nynphomaniac)
No começo de “Funny Games”, uma família de classe alta volta para sua casa entre campos verdes, operas e jogos até que a harmonia é quebrada e a música muda para advertirmos que tudo se transformará em um amargo pesadelo. No caso de “Ninfomaníaca” também acontece algo assim. Não existe musica celestial, somente sons da rotina de um bairro. No entanto, estes simples ruídos desaparecem igual que no jogo musical do filme de Haneke, para entrar à música de Rammstein. Em ambas as obras entramos numa atmosferas de dilemas, duvidas e descobrimentos em que o espectador é forçado a participar ou abandonar a sala. Nem Lars Von Trier, nem Michael Haneke permitirá que ninguém permaneça indiferente.
A partir daí segue uma série de diálogos absolutamente fascinantes que nos vão mostrando os medos e obsessões do autor. Destacando um dos dialogo, o que incide sobre Edgar Allan Poe. Igual que ao outro gênio da literatura de horror, H. P. Lovecraft, Poe desenvolve todo um universo baseado no mais profundo medo do ser humano. A herança e a influência dos antepassados no nosso comportamento futuro pode ser visto em quase todas as histórias de ambos autores e, por isso, é tão notável que o tempo em que Lars Von Trier fala do escritor tem a ver com os últimos dias que Joe passa com seu pai moribundo. Os poucos laços que unem uma pessoa além do desejo parecem desaparecer. Apesar de tudo, pouco a pouco veremos que Joe é capaz de criar novas relações cujo resultado em muitos casos ainda é uma incógnita.
A personagem Joe jovem tem algo da prostituta que nos apresentou François Ozon em “Jovem e Bela”. Como ela, Joe avança por um caminho de autodescoberta que se deve definir entre seus limites e os tabus externos. No caso de “Ninfomaníaca” a história vai um pouco mais longe, já que o descobrimento se une ao julgamento moral de uma Joe envelhecia e no fundo do poço que recorda sua juventude. Se em “Jovem e Bela” o encontro final com a mulher de um dos seus clientes era o único ponto de vista adulto onde podemos ver ou imaginar os pensamentos futuros de Isabelle (a protagonista), na obra de Lars é a própria Joe que mostra sua visão com respeito ao passado.
Nas interpretações não se pode mais que elogiar, em absoluto, todo o elenco do filme. Stellan Skarsgård, colaborador regular de Lars mantém a ambiguidade entre conservador e voyeur. Uma Thurman e Christian Slater, sem dúvida, com suas melhores interpretações nos últimos anos e Shia LaBeouf ignora, por fim, seu eterno papel de herói impoluto de Hollywood. Por último o duo Gainsbourg – Martin, onde reside a força e a credibilidade do filme, é impecável. Os personagens femininos de Lars mostram uma aparente debilidade, em ocasiões por questões físicas (como em Dançando no Escuro), psicológicas (Anticristo), morais/religiosas (Ondas do Destino) ou pelo simples desamparo (Dogville). No entanto, sob suas carências sobrevivem forças muito mais relevantes que apresentam como reflexões do realizador dinamarquês. Neste sentido, “Ninfomaníaca” não só mantem seu trabalho com os personagens femininos mas também inclui os jogos simbólicos que experimentou em sua comédia “O Grande Chefe” e a reflexão política citada em “Europa”, sobre o futuro moral da humanidade.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Ilha do Medo (Shutter Island)

Dependendo do amor que poderá ter por Martin Scorsese, com a visualização de Shutter Island, você poderá tirar três conclusões bastantes diferentes. Se você pensa que o diretor nova-iorquino esta supervalorizado, com esse filme reafirmara sua posição. Se esta no grupo que pensa que a melhor época de Scorsese já passou, também será bom ver-la e assim relembrar aqueles tempos que ele rodava filmes como Taxi Driver ou Touro Indomável. Se ao contrario, você acredita que Scorsese é um craque capaz de converter em ouro tudo que toca, então você tem duas opções, pensar que até os maiores tem o direito de cagar uma vez ou aceitar a máxima que, os peidos de Scorsese cheiram a flores, coloca uma venda nos olhos e declama aos quatro ventos que Shutter Island é uma obra prima. Se vos, estas entre o ultimo, lamento dizer que o peido dele tem o mesmo cheiro que o resto dos mortais, as vezes pior.
Dizem que o cinema do nova-iorquino é essencialmente formal e que cada um de seus novos filmes é um experimento no qual a historia é tão importante como a forma de contar-la. No entanto, o que salva do artificial é sua paixão pelos personagens, tendo assumido, que sem eles não há bom cinema. Muito bem, como teoria me parece genial, o problema é que na prática ele patina. Scorsese reúne diversas imagens supostamente perturbadoras que não passam, no melhor dos casos, de desconcertantes, mas na direção errada. Vamos lá, o que se tem a impressão é que Scorsese se meteu a ser David Lynch e não saiu muito bem no experimento. Uma decepção total.
E a coisa não melhora se tentamos apreciar a historia e os atores. Estamos diante um folhetim de detetive em que dois agentes federais vêm a uma remota ilha na qual se encontra um hospital psiquiátrico para investigar o desaparecimento de uma assassina ali reclusa. Até ai tudo bem, mas como a coisa vai desde as formas inescrutáveis da mente humana, enquanto o protagonista é confrontado com o caso, também enfrenta seus demônios interiores. E isso justifica toda uma serie de aparições, alucinações e demais parafernálias oníricas freudianas em forma de imagens, que é bastante ridículo. Tudo isto sofre o protagonista do filme, um patético Leonardo di Caprio. Maldita seja a hora que Scorsese trocou De Niro por ele. Será que não tinha nada melhor no mercado? E o pior é que nem mesmo desentoa no conjunto, já que seus companheiros de elenco Mark Ruffalo, Michele Williams e Emily Mortimer, são ainda piores.
Bom, o filme é ruim, um martírio mental que salva por algumas boas criticas e que foi filmado por um prestigioso diretor. Ou porque parece inspirado na serie que acabou recentemente Lost em algumas abordagens ou situações. Embora, devo ser justo e reconhecer que, provavelmente, toda culpa não seja dele. Já me falaram que a novela de Dennis Lehane na qual o livro se baseia é meia boca. Isso sim, ninguém colocou uma pistola na cabeça dele e obrigou a adaptar esse livro. E isso, para alguém que pretende articular-se com os clássicos em sua condição que trabalha sempre com roteiros alheios, não é um pecado menor. Como um dos poucos privilegiados que estão em posição de dar ao luxo de fazer filmes como queira.
Ah! E se você leu por ai essas declarações nas quais Scorsese confessa referencias em sua obra que vai desde Spellbound de Hitchcock, Cat People e I Walked with a Zombie de Jacques Tourneur, alem do cinema expressionista alemão dos anos 1920 ou da literatura de Kafka, não lhe faça caso. Scorsese esta é ficando louco (somente assim poderia explicar a versão da genial trilogia Internal Affairs que se tornou o legalzinho The Departed que concorre a ser um grande clássico do Domingo Maior da Globo, e ele negar).
Por fim, como LaSalle disse: ‘ A lenda fica no caminho do artista, Scorsese deve parar de tentar fazer obras de arte e tentar fazer bons filmes’. É isso.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Splice

Muito se espera deste filme e ainda mais já que estamos conscientes de quem esta por trás, Natalie de um lado e Del Toro de outro, mas fica por ai: muito barulho por nada. O filme não é ruim, mas quando estamos assistindo sempre esperamos algo mais e nunca acontece e ai é que esta o erro, poderia ser mais transgressivo sem cair no grotesco (bestialidade?).
No entanto, a historia até diverte e ainda mais quando o espectador percebe que o filme já não da mais nada. Em alguns momentos o diretor de Cube e Cypher é brilhante e demonstra o que ele vale, mas claro, esses momentos são poucos, se bem que tenho que destacar alguns planos realmente espetaculares, mas a historia é plana e linear e não destaca nem o bem nem o mal.
Aconselhável somente pra quando não tem nada pra assistir.
Nota 5
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Patrik 1.5 (Patrik, age 1.5)

Por um lado, eu aprecio a facilidade com que abordam a questão da adoção GLBT, que relativamente é bem aceita na sociedade sueca, apesar dos fanáticos que existem em todos lugares. Na verdade, o filme deixa claro que esse casal foi a ultima opção para a criança como se estivessem envolvidos em um leilão.
Sendo um filme mais cômico, que outra coisa, tem uma parte trágica importante, inclusive quase de denuncia homofóbica, mas que esta enfraquecida pela falta de profundidade com que aborda as questões importantes do filme: o casal gay, adoção por homossexuais, adoção de crianças com necessidades especiais, seus problemas específicos (que são muitos)...
O filme tem alguns pontos fracos, para poder criar a trama, que caem sobre seu próprio peso, não é crível que mandem um menino de 15 anos para um casal adotante, sem antes fazer uma prova de adaptação, ou mesmo que considerem que a adequação desse casal possa ser igual para uma criança de 15 meses como de 15 anos. Deste ponto de vista da adoção é um disparate.
O adolescente problemático é bastante turvo, e ele não é mais que uma caricatura do que poderia ser na realidade, se tivesse o currículo criminal, tal como proposto pelo roteiro, dificilmente poderia ter essa evolução, por alguns gestos de acolhimento e carinhos, numa pessoa com esse nível de desconfiança na vida e na sociedade. ‘Porque o amor nem sempre é suficiente. ’
Mas, é um filme fofo, redondo e que emociona às vezes, com um final feliz para agradar a todos. Se servir para jogar a semente da adoção GLBT, é uma opção não apenas legítima, se não, inclusive poder ser mais adequando para alguns meninos ou meninas, o filme ganha mais peso do que realmente tem. E que a moral, a ética e a capacidade de compromisso e de amor se encontram nas famílias que não tem e não pretendem usar a patente da normalidade ou da heterosexualidade.
Nota 7
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Quebrando Tdo (Kick Ass)
Kick Ass é uma colorida revisão dos mitos do comic desde um prisma sarcástico e irônico. E ele faz acompanhar de A a Z todos os clichês dos filmes de super heróis, desde o pária social convertido em justiceiro mascarado, aos amores impossíveis, as nêmeses que surgem quase por geração espontânea. O resultado não só engole como chuta traseiros de superproduções maiores em seu próprio território.
Vaughn veste violência estilizada e sarcástica do show, apelando ao mesmo tempo tanto à cumplicidade dos fãs de comics como ao espectador alheio do mito de super herói. Kick Ass oferece maneiras diferentes para satisfazer todos os públicos, mas pede em troco que aceitem a violência divertida que faz gala de um filme protagonizado, definitivamente, por adolescentes que estão no colégio e enfrentam assassinos impiedosos a sangue frio.
O resultado é um filme mais exigente do que parece, mas que sabe recompensar o espectador que aceitas as regras com quantidade suficiente de espetáculo e diversão. Fornece bons personagens, não saturados com ruído desnecessário e tem um senso de diversão e ousadia grotesca, como ‘Kill Bill (com seu uso humorístico de violência selvagem), não é apto para todos. Sem falar que exala verdadeiro amor aos comics de super heróis, que respeita e ama com ardor incomum.
O filme suaviza e aporta certa delicadeza em alguns momentos mais cruéis do material original, mas é sempre em favor dos personagens. Precisamente neste ultimo aspecto destaca uma das melhores cenas do filme, aquela que Hit Girl entra as escuras no lugar onde estão sendo torturados os protagonistas, que culmina de forma dramática. Vaughn combina nesse momento violência hilariante e gore, drama e comédia de forma estranha e absolutamente emocionante, e logo depois disso prolonga o desfecho da historia acrescentando mais espetáculo e risos como fogos de artifícios.
Preste atenção à interpretação de Chloe Moretz, uma das pequenas protagonistas, e sua química com um Nicolas Cage que demonstra que sabe ficar em segundo plano. Mark Strong é um dos atores mais capacitados para exercer o papel de vilão dos últimos anos e Aaron Johnson não defrauda no papel mais importante de sua vida e também Christopher Mintz-Passe. Vaughn, Mesmo que não defina totalmente seus personagens e se envolva em seus sentimentos, esforça-se no bom caminho e cria situações emotivas e simpáticas que justificam a violência irônica e o conteúdo geek do filme.
Definitivamente, o filme não é adequado para paladares antigos.
Nota 10
A Ressaca (Hot tub time machine)

Este é um daqueles filmes que você não tem muito que dizer, especialmente porque eu duvido que valha a pena tentar estender umas linhas a mais em um filme cuja simplicidade não envolve mais mistério que o desfrute do disparate absurdo. Mas parecido com um grande show de comédia televisiva, esses 100 minutos de imagens são uma sucessão de idéias em vez de uma historia em sim, as idéias adornadas com muito humor negro e ácido, e em particularmente especial para a memória daqueles maravilhosos anos de 1980, especialmente para todos aqueles que tiveram alguma voz na década prodigiosa.
Sem dar muitas voltas poderíamos dizer que o filme é como o titulo original diz, tão estúpido como absurdo, e na que menos é a lógica do porque ou o sentido do como. Em suma, de uma simplicidade e leveza pateta que assusta, mas até aqui nenhuma objeção, pois, como em todas, já que da pra cobrir todo o bolo e é bem costurado, como brincadeira divertida não hesita em ignorar sua qualidade questionável como filme para elevar à categoria de filme com título fofo, algo assim dito de maneira pouco fina, um peido que gostamos de sentir o cheiro.
Deixando de lado a lógica interna do relato que não passa de uma brincadeira, e que brilha tanto por sua ausência que ao mesmo tempo nem sentimos falta, o filme apresenta uma variação da manjada viagem no tempo numa comedia sem responsabilidade de qualquer natureza, muito menos moral. Uma espécie de ‘De volta para o futuro’ pegajoso e ointentista para os acima de 30 anos. Uma historia simples, previsível e sem complicações que em nenhum momento tenta levar se levar a sério e ideal para ver em grupo, já que os protagonistas se entregam de corpo e alma e agüentam o escopo com carisma e alguns golpes.
‘Hot tub time machine’ é uma brincadeira em nome do humor, sem olhara para trás, e um pesado tributo aos 80, surpreendentemente emocionante, que não é necessariamente bem realizado ou inspirado, mas acima de tudo eficazes em convencer e que seguem os padrões visuais, narrativos e conceituais vigentes naquela época, tudo reforçado por uma excelente trilha sonora e até mesmo artistas da época, começando pelo próprio John Cusack, Crispin Glover e o mítico Chevy Chase.
O filme tira a essência da memória oitentista em pleno século 21 rematado por alguma ou outra piada escatológica, uma breve dose de reflexão amarga mas otimista sobre os amigos, o materialismo e a passagem do tempo e um escárnio para todos os amantes do cinema, no entanto, não podemos evitar um olhar doentio de cumplicidade em algum ou outro momento. Não recomendado para menores de 30 ou maiores de 40.
Nota 7
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Orações para Bobby (Prayers 4 Bobby)
Orações para a humanidade.
Estamos diante um filme baseado em fatos reais, sobre o que aconteceu a um jovem chamado Bobby Griffith e sua família, nos anos oitenta no EUA. O filme deixara frio somente alguém de pedra. Nenhum ser humano minimamente sensível poderá distanciar-se da intensidade e profundidade do drama diante de nós. Tem um equilíbrio notável, mesmo quando se torna altamente emocional. Talvez, não alcança o desenvolvimento suficiente sólido do processo que o jovem protagonista chega. Mas isso não impede de entendermos, pelo menos em essência, a razão para o clímax trágico do filme.
A mãe de Bobby, interpretada pela sempre notável Sigourney Weaver, é uma boa senhora evangélica fundamentalista que não pode assimilar a verdade sobre seu filho homossexual. A partir desse momento, o drama cresce, até a tragédia. E a tragédia cede lugar à descoberta, de transformação e solidariedade.
Se o espectador tem convicções religiosas, o filme será desnudante. Se não, pelo menos, quem assistir será levado a uma fronteira que nosso tempo exige que se cruze sem mais delongas. O limite para a aceitação incondicional das pessoas como elas são e não como gostaríamos que fossem. E, sendo como são, podem chegar a serem felizes sem fazer sem prejudicar alguém.
Se um dos motivos do filme era remover consciências, fazer pensar, deixar marcas, ele é bem sucedido. E nos fazem desejar que o dia que a aceitação, a compreensão, o amor no sentido mais pleno da palavra, seja possível que historias como essa não se repitam. Faz-nos querer, e quanto, um mundo verdadeiramente humano, onde ninguém é excluído e humilhado pela razão simples e inexorável de ser o que é.
Nota 7
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
Essa é a historia que o bom Burton queria montar com a obra-prima do escritor e matemático Lewis Carroll, algo radicalmente contrário a tudo que nos quis relatar o escritor em seu conto fantástico, o qual poderia ser entendido de várias maneiras: um conto fantástico repleto de estranha imaginação quase surreal, um relato crítico sócio-político ou um entretenimento imaginativo sobre a lógica, física, psicologia e filosofia.
Penas que Burton quis fazer o filme sem aquilo tudo que dava encanto a história.
O diretor não quis colocar uma conotação única moderadamente inteligente, engraçada ou surreal que era o romance de Carroll, convertendo essa adaptação no produto ‘róliudiano’: um pouco de ‘As Crônicas de Nárnia’, ‘Harry Potter’, ‘O Labirinto do Fauno’ e ‘O Senhor dos Anéis’. Pronto. Temos todo o necessário para o produto de entretenimento. Basta somente à estética burtoniana? Isso não faz um bom filme, mesmo remotamente.
Quando Coppola fez sua versão pessoal de ‘Drácula’ não deturpou o livro de Bram Stoker, mas deu um sentido romântico sem eliminar o encanto da historia e os personagens. È igual o filme ao livro? Não. Porém a versão que Coppola deu a Drácula foi magnífica e muito bem realizada. Em Alice não acontece nada disso. Uma pena que Burton quis fazer um produto a sua imagem e semelhança, ou seja, copiando a si mesmo sem a menor surpresa em um ápice e fazendo o publico acreditar que ‘Alice’ é isso, um filme superficial de ritmo irregular que em alguns momentos entendia e em outros momentos é melhor dormir.
Dos personagens melhor nem falar, a protagonista falta carisma e não tem nada a ver com a Alice que conhecemos em alguns momentos ela é até odiosa. Seu personagem não se estende, os secundários são horríveis, é como se Alice retornasse ao País das Maravilhas, fizesse um passeio e encontrara com cada um dos personagens e dissesse: ‘ E ai véi, que tem feito de bom? Vou ali visitar o Chapeleiro pra ver o que me diz. Venha’.
Onde esta a conversa surreal da lagarta com Alice? Onde esta a festa do chá? O meu não aniversário? Isso é o original ou a sequência? Por que ter o nome original se não tem nada a ver com ele?
Recomendado para os fãs de Burton que querem seguir causando com sua reconhecível estética ‘dark’ e não tenham lido o livro. Os outros? Fujam enquanto podem.
Nota 4
Uma Noite Fora de Série (Date Night)
‘Uma Noite Fora de Série’ não é uma comédia barata. Por quê? Porque tem algo que não existe nas ultimas comédias, um bom roteiro. Isso soa familiar? Diria
que é o mais importante em um filme. E aqui temos atuações que são dignas do roteiro. As principais são dos grandes da comédia atual: Steve Carell e Tina Fey. O primeiro reluz em todas as comédias que faz, brilha em The Office e é um grande comediante, principalmente com a comédia física, sem cai no ridículo como Jim Carrey. A segunda é a pequena grande Tina, uma grande atriz de comédias, ela sabe tudo e não poderia ter melhor escolha.
Temos também secundários de luxo: Mark Wahlberg, com um papel que transborda testosterona, se sai bem e te faz rir (e desejar). James Franco xingando até as vacas e sendo um grande momento do filme. Taraji P. Henson esta um pouco desiludida já que não tem muita atenção, mas cumpre como deve o papel.
As cenas dos carros colados e a pole dance merecem ser vista.
Não me estranha que muitos não gostem, já que é um humor bem ao estilo Saturday Night Live, sofisticadamente perverso
Desculpe, se não falo mais sobre o filme, mas a verdade é que esta diante de uma grande comédia.
Nota 8
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Querido John (Dear John)
É claro que, à primeira vista, a história do filme não é nada original, mas uma vez que você dispõe a ver, pouco a pouco vai notando que tem algo que a torna diferente, ainda que a essência seja a mesma de sempre. Adequadamente dirigida, a história consegue chegar ao espectador e aos poucos o vai ligando a cativante história. Tem boas reviravoltas no roteiro e algumas surpresas, mas no geral é um pouco previsível. Boas cenas de amor e ódio são misturadas de forma exemplar nos distintos amores que alguém pode sentir o que se forma entre John e Savanna, o do protagonista com seu pai e o da surpresa final. Nós vemos como em um ambiente de solidão pode formar um amor intenso. Em resumo, poderia dizer que é uma história que define os termos como amor, compaixão, generosidade, confiança e, claro, drama. A história chega ao público por seu realismo, não é nada idílico que poderia passar somente em contos de fadas, é algo que possa acontecer a qualquer um.
As atuações não estão ruins. Do meu ponto de vista, há momentos que parece forçada, mas não há dúvidas que estão acima da média. Gostei da mudança de papel de Tatum, que estamos acostumados a vê-lo fazer o papel de durão e espero que Seyfried siga fazendo esse tipo de trabalho e não do tipo de “Jennifer’s Body”. Destaca-se a excelente atuação de Richard Jenkins. A trilha sonora é outro aspecto positivo, genial em grande parte do filme, ajuda a que o espectador se entristeça. Bonita fotografia. As paisagens levam a um ambiente de paz e tranqüilidade, com o som do mar tão relaxante.
Quanto ao aspecto negativo, os momentos das cartas são bastante longos e repetitivos, poderia ter reduzido um pouco. Sobra também à parte bélica e a última meia hora a história perde o fôlego, ficando ligeiramente mais pesada. Porém, o final é bom e bem realista.
Em conclusão, vale à pena dar uma olhada, eu esperava algo ruim e tive uma pequena surpresa. Permite lacrimejar um pouco e desafogarmos.
Nota 7
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Um Certo Olhar (Snow Cake)

Filme intimista e cheio de vitalidade, de atores para atores, a interpretação de Sigourney é fantástica, a fotografia muito boa, com alguns planos de beleza indescritível, com seus silêncios e paradas freqüentes num cinema de autor. História para deixar no paladar e saborear-lo, bem lentamente, deixando fluir todos seus sabores como os tipos de chás que tem Linda (Sigourney) em sua proibida cozinha.
Personagens que não encontram sentido em suas vidas ou, simplesmente, perderam e tentam se agarrar a qualquer vislumbre de esperança para dar-lhes cor e brilho à sua existência, mas quase sempre é tudo uma miragem.
‘Snow Cake’ não é um filme impressionante, mas ao seu modo é um filme brilhante. Fala sobre pessoas diferentes (um autista, um egoísta, um tristonho, um vaidoso, de pessoas que amam sua filha, etc.); algumas dessas pessoas sabem que são diferentes, e outras não sabem (ainda que sejam). As que são diferentes e sabem (a mulher com autismo, a egoísta, a filha que sou incapaz de definir, as definições impõe limites e eu não quero fazer com esse personagem, Vivianne) estão felizes, captam as diferenças dos demais e aceitam com naturalidade e até com felicidade. As que são diferentes e não sabem, nem são tão felizes e não valorizam as diferenças nos demais e nem a apreciam.
Esse filme de baixo orçamento, conta uma história simples, quase íntima e, refletindo também as diferenças da geminação, juntando humor e drama. Não te faz gargalhar, mas te faz sorrir. Não cai em lágrimas, mas te emociona. Quando termina você sabe que não viu o melhor filme de sua vida, mas, também, sabe que acaba de ver um filme agradável que pode inclusive resgatar alguma reflexão da frieza habitual.
Sigourney faz como sempre um ótimo papel, que talvez não seja apreciado devidamente. Em geral, todos os atores estão ótimos, Alan Rickman sempre é bom, creio que tudo isso é devido um bom roteiro, porque as idéias estão claras. Algo que nem sempre é fácil encontrar em um filme.
Nota 9
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Mary and Max
Esta fábula, sobre a amizade, vista a partir do coração e não com os olhos, é um filme australiano que conta a historia de uma relação pelo correio de dois personagens solitários e diferentes uns dos outros. Mary Dinkler é uma menina introvertida e sensível de 8 anos que vive em Melbourne, Austrália, e Max, um homem de 44 anos, natural de Nova Iorque, obeso, autista e que termina sendo um judeu ateu.
Neste contexto, a relação é muito interessante entre seus personagens, entra em argumentos profundos como o suicídio, o ateísmo (nas palavras de Max: “Deus é apenas um fragmento da minha imaginação”), a homossexualidade, a depressão e a solidão. Eventualmente, uma surpreendente radiografia da sociedade na qual estamos imersos, já que toca no tema do universo e da estupidez humana, ainda que, Max aconselha: “Ame a si mesmo, em primeiro lugar”. Assim, estamos diante de um filme de animação que é uma obra-prima.
Quando soubemos que o solitário e comilão Max sofre da “Síndrome de Asperger”, que sim, é uma doença e não apenas uma forma de ser, corroboramos pelo fato de que as pessoas com Asperguer têm uma expectativa igual às pessoas que não são autistas.
No entanto, com base no exposto, pode-se dizer, sem que seja um truísmo, que não há um típico modelo do ser humano único, que cada um é uma versão particular, que as espécies estão formadas por indivíduos que compõem toda uma diversidade. Agora, precisamos de alguma síndrome pra chegar a idéias como “ser honesto poder ser incorreto?”, parece que sim (e digo, parece como homônimo de julga-se), já que o discurso fílmico nos leva a uma realidade dura e rigorosa de uma sociedade globalizada: impassível, cruel e sem identidade.
Assim, com um ritmo medido e temas musicais da historia do cinema (“Zorba, o Grego” ou “Que Será, Será” do filme ‘O Homem que Sabia Demais’), a história simboliza desde o primeiro momento do mundo de Mary e Max, que se analisamos com cuidado, é entre a inocência e a falta dela: a soma de todos os indivíduos, que é o modelo que constituem o ser humano.
A estética da imagem em tons cinzentos confere-lhe um mistério para o filme (é o que os seres humanos são), e ainda que seja quase uma entidade protagonista (a ausência de cor), ‘Mary and Max’ não cai no sentimental e no final feliz.
(PODE CONTER SPOILERS)
Basta ver os últimos minutos finais do filme, para entender que, apesar da morte e da solidao, o que mais importa é (nas palavras de Max) ‘Perdoar, porque não somos perfeitos’. A idéia final, Max encontrou todas as metas em sua vida, exceto uma: Um amigo. Vocês já cumpriram?
Nota 10
terça-feira, 6 de abril de 2010
O Segredo dos seus Olhos (El Secreto de sus Ojos)
O cinema argentino segue cometendo o mesmo erro em todos seus filmes: a falta de credibilidade em seus personagens e nas interpretações dramáticas. Se as situações não são críveis, a história pode ser muito boa, porém, perde o interesse.
Darín não é um ator versátil, sempre é Darín em todos os filmes não muda muito nem os gestos, nem os olhares, nem nada. O personagem de Francella, talvez tenha um melhor feito, mas as situações divertidas que gera, tira ainda mais a credibilidade do filme, que acredito, deveria ter mais ‘dark’.
A lei fundamental da narrativa, seja literária ou cinematográfica, é que todos os elementos devem estar a serviço da história. No entanto, quando isso falta, acontece que os elementos que devia estar a seu serviço, tomam relevância e ocupam lugar de destaque. Isto é o que acontece nesse filme. A trama pretende narrar duas tramas românticas, um assassinato misterioso e o contexto da repressão política. Quando quer fazer tudo, acaba não fazendo nada. Assim, as histórias oferecem furos por todas as partes e o diretor se perde em movimentos de câmera e enquadramentos tão requintados quanto desnecessários.
Em suma, quando a historia perde a força por causa do eixo central, surge a desespero da direção que, finalmente, faz você sentir-se indigesto.
Mas nem tudo esta perdido, algo posso destacar no filme: a reflexão sobre as memórias, que resulta num assunto profundo e tratado com precisão e habilidade.
Nota 6
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Preciosa - Uma História de Esperança (Precious)

Uma autêntica obra de arte, tão hábil e segura de si como a própria direção de Lee Daniels. Esse não poderia fazer que acreditasse no filme a menos que fosse capaz de acreditar na própria Precious. E o faz.
Sua historia supera a qualquer: abusos sexuais por partes do seu pai, abuso físico, verbal e psicológico presenteado pela própria mãe, provocações e insultos dos companheiros do colégio... Esse é o seu dia a dia, com apenas 15 anos!
Às vezes, acredita em sua mãe quando ela grita que é apenas uma mancha feia de gordura negra; às vezes, se convence de que tudo o que acontece é porque realmente é estúpida; em outras gostaria de estar morta...
Mas apesar de tudo e apesar de todos, tem ilusões e não deixa ninguém destruir suas esperanças e aspirações: ela quer estudar, ser boa mãe, encontrar um namorado de verdade. Ainda que saiba que não é bonita e que esta obesa, sempre se enfeita, às vezes com um colar de plástico com contas coloridas, outras penteando sua franja todas as noites. E cada vez que algo de ruim acontece, longe de deixar se abater, ela sonha. E em seus sonhos se libera de tudo o mau e o feio: tem musica, luzes brilhantes, lindos vestidos e um lindo garoto que a quer tal como é. E enquanto sonha, ainda que começa acontecer coisas boas, segue ocorrendo coisas horríveis, porem nunca se deixa abater.
É uma viagem pelo lado mais sórdido da vida humana e também uma historia de perseverança e luta incrível. Com uma musica fantástica e algumas pontas de luxo como Mariah Carey e Lenny Kratvitz, mas tudo iluminado pela atuação soberba de Mo`nique que ganha seu ódio desde o primeiro segundo que aparece na tela.
Como disse Einstein: “A imaginação supera o conhecimento. O conhecimento é limitado, porem a imaginação molda o mundo”. A imaginação de Precious é sua salvação.
Nota 10
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
The House of the Devil

Surpreendente produção do jovem diretor e roteirista Ti West que aparentemente nos conta uma historia de horror, mas é muito mais do que parece. A primeira coisa é o preparo cuidadoso, a direção de arte é perfeita, com uma alucinante estética oitentista.
Pode parecer que à medida que o filme avança, não acontece nada... Mas tudo o que acontece se acumula para o resultado final. Ele demonstra mais uma vez que em filmes como, e com muito pouco, pode conseguir uma tensa e opressiva atmosfera, que só precisa de bom trabalho e imaginação. O filme é uma agradável surpresa, dentro das porcarias que estréiam todos os anos nesse tipo de filme.
Agora sem duvida, Ti West é um direto que temos que acompanhar de perto, espera que não decepcione futuramente.
Nota 8
Um Olhar do Paraiso (The Lovely Bones)

Peter Jackson é daqueles diretores que os filmes deixa uma deliciosa lembrança, certamente melhor do que acaba de me deixar Um Olhar do Paraíso.
O problema do filme é o roteiro, a idéia é original (a vida dos entes queridos de uma pessoa morta vista desde outro plano), mas, é levado de uma forma medíocre, inclinando-se a um melodrama de lágrimas fáceis e sentimentalismo barato e para provar isso bastam às constantes narrações da protagonista que da um ao filme um toque se auto-ajuda. Os personagens são mal aproveitados, tirando o assassino, ninguém chega impacta, nem a médium e nem a própria protagonista.
A verdade é que tinha expectativas, portanto fui assistir com um padrão muito elevado, porem é triste ver todos esses bons atores desperdiçados (Mark Whalberg é previsível e utópico, Rachel Weiz apenas basta, Susan Sarandon é melhor não comentar) num filme medíocre e superficial. Seu ponto forte termina na primeira meia hora e com ela se vai todos os rastros de originalidade, no qual regressa por instantes quando entramos no mundo pessoal de Susie (a garota assassinada) e começa o desfile de FX’s.
Mas nem tudo é mau, o filme tem vários momentos (raros) que chega a enternecer ou impressionar (a maior parte estrelado por Stanley Tucci, que cheira uma indicação ao Oscar de melhor coadjuvante) ou no mundo mágico de Susie no final do filme e em uma em especial que contem muita tensão (o pai no milharal).
Dos aspectos técnicos nem preciso comentar, bela fotografia, iluminada, FX’s bons que trai com o CGI às vezes, OST linda (amo Cocteal Twins), direção de arte excelente e por mais que os personagens não sejam interessantes, se nota a intenção do elenco para dar um mínimo de interesse aos seus papéis.
Não é um filme que recomendaria, mas para os que vejam, façam sem grandes expectativas e sendo pacientes com alguns momentos que fazem que o fim alcance o aprovado, talvez assim gostasse mais.
Nota 5
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